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segunda-feira, 5 de julho de 2010

A flor da internet

Global Voices - The world is talking, are you listening?

Acho que o que eu mais gosto nesse mundo virtual é o fato de ele dar voz a todo tipo de pessoa. Isso gera, pelo menos em teoria, uma amplitude tão grande de fontes de informação que dá a possibilidade de pôr em prática tudo aquilo que sempre se imaginou em termos de liberdade de expressão, em democracia de idéias, em divulgação de histórias e acontecimentos. Obviamente, na prática, não é bem assim: governos censuram a internet e blogueiros são presos. Além disso, a internet é uma fábrica de conteúo, e a cada segundo uma quantidade absurda de informação chega ao nosso alcance, fazendo com que nos perdamos no meio de tanta coisa a ser lida, ouvida, vista.

Assim, essa flor que é a rede mundial de computadores tem pétalas sem cor, não é tão colorida e viva quanto parece. Para tentar colorir um pouco mais a internet, há sites como o Global Voices. É um portal que pretende traduzir, reporduzir e tornar acessível muito daquilo importante e interessante produzido em blogs pelo mundo, e que, de outra forma, estariam fadados ou esquecimento ou à pura censura.

Esse tema merece um outro momento de reflexão mais aprofundada. Neste post, quero dar um exemplo da força dessa ferramenta difusora de conteúdo: uma bela seleção de posts do mundo todo que conta histórias de pessoas infectadas pelo HIV. Nele descobrimos seres humanos que sofrem, indignam-se, e questionam sua posição no mundo, ao mesmo tempo que amam, riem e produzem textos de alta sensiblidade. São ingleses, chineses, sulafricanos, todas pessoas anônimas que se nos apresentam a apenas um clique.

Leitura deliciosa e descoberta de uma óima forma de navegar pela internet!

quinta-feira, 8 de abril de 2010

Minha nova profissão

Um dos motivos de eu ter largado a faculdade de direito e a de jornalismo foi a minha convicção - que a pouca experiência só veio a corroborar - no trabalho do profissional da saúde como verdadeiro transformador da realidade em que vive. Para além de qualquer viés político de que essa frase possa ser revestida, sempre foi muito claro para mim que sem uma adequada estrutura de saúde pública não se pode falar em democracia, direitos humanos ou paz e que a medicina tem os meios necessários para melhorar a vida de todas as pessoas.

A primeira afirmação é a mais simples de expor. Saúde pública é uma questão delicada e que nos reserva infindáveis lucubrações teóricas. No entanto, sua aplicação e sua qualidade como serviço público podem ser facilmente observáveis em qualquer lugar do mundo: todas as pessoas, mesmo as mais ricas, dependem do sistema público de saúde para sobreviver nas cidades e nos campos e, sempre que o poder público descuida desse aspecto fundamental da estrutura de um país, pode-se esperar um enfraquecimento da rede social que embasa a organização estatal que deveria prover uma saúde pública eficiente.

Uma população doente, sem saneamento básico, sem informações essenciais para a manutenção de seus níveis de saúde, não é uma população em condições de igualdade para, por exemplo, viver em um ambiente democrático, eleger seus representantes e esperar por soluções racionais e discutidas para seus problemas mais prementes. No lugar disso, um povo alienado pelo descaso com sua saúde não consegue ver a importância do seu direito a voto e à representação, nem sabe que pode, por meio da democracia, exigir melhorias para sua própria saúde. Dessa forma, a medicina está, para mim, no cerne da questão democrática.

Em função disso, fica fácil perceber como a medicina pode contribuir para melhorar a vida de todos. Tanto em casos óbvios como o dos doentes no hospital, quanto em casos menos aparentes, no que tange a tal da promoção de saúde, a medicina representa o primeiro (e fundamental) passo em direção à cura, ao empoderamento (o velho conceito de Paulo Freire...), ao conhecimento daquilo que virá a ser a sua cidadania.

Cada vez mais tenho certeza de que fiz bem em mudar de profissão!